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Garotas como Você


Ora, como começar a descrever aquilo que de mais bonito me aconteceu nos últimos anos? Talvez, meras palavras não fossem o bastante, o que descreve tal ocorrência estava estampada no peito, no pulsar das veias.Estava lá, no mesmo local de sempre,  era até corriqueiro o momento, até que o vi. Céus, ele me lembra Capitu com aqueles olhos de ressaca, dissimulados, penetrantes, quase faceiros, porém providos de uma inocência. Cabelos ralos, de estradas tortuosas que deixam sua testa nua, pele aveludada com bochechas coradas como maçãs, pele esta que vem acompanhada de barba que toma seu queixo de um tom azulado.

Os lábios, estes merecem um parágrafo só para si, uma atenção especial. São bem desenhados, vermelhos, rubros como sangue, e carnudos. Só ao descrevê-los consigo com tamanha exatidão imaginá-los e são estes, estes lábios que me tocaram.
Ele vinha com um andar faceiro, carregava um sorriso de canto nos lábios. Cumprimentou a todos no recinto, enquanto o fazia vinha se aproximando de mim, o que foi suficiente para que minha face ficasse tão rubra quanto seus lábios.

Eu? Eu fiquei sorrindo como que tentando disfarçar o encabulamento  que só o fato de sua presença me causava. Desviei por várias vezes o olhar, não sabia onde focar, me mantive cabisbaixa, com as mãos trêmulas enquanto por dentro eu pedia, ou  melhor, implorava que partisse logo.
Passado alguns instantes, para meu susto, senti  braços enlaçando minha cintura enquanto um respirar  pacato e quente de mim se aproximava. E aproximou-se mais, e mais...encostou os lábios em minha face.

Todo o silêncio do mundo se manteve, a única coisa que ouvi foi um oi com tom de rouquidão, foi a trilha sonora do momento, a sua voz.
Ali lembrei-me da primeira vez,  minhas pernas tremiam da mesma forma. O frio na barriga,  o nervosismo, o medo , rápido e devagar ao mesmo tempo, tudo me lembrava o primeiro beijo.
Ali nasceu o amor e era grande. Como dizia Carlos ( o Drummond), o amor é grande, mas cabe no breve espaço de beijar.

Poliana Lorena.
12:50 No comentários

Poliana Lorena

Há não muito tempo conheci Ângela, uma senhorinha de mais de oitenta anos. Os olhos azuis brilhavam em meio ao mar de rugas que, segundo ela, eram a beleza de sua experiência estampada.
Eu a entrevistava e falávamos sobre expressões culturais. Logo no calor da conversa, com meu jeito extremamente desastrado de ser, deixei que os livros, blocos e papéis se espalhassem pelo chão. Corri para recolher antes que a conversa saísse do rumo, mas não fui ágil o bastante.
Assim que viu a Antologia de Vinícius, disse-se amante de poesia, daí em diante a prosa tomou rumos diferentes. Ela folheava o livro com um sorriso de canto e os olhos quase marejados. Do silêncio ela contou-me sua história de amor.

“Foram 60 anos de amor”, disse. Ela o conheceu num bailinho de associação, ele era muito mais velho, mas ela não conseguia ver nas marcas da idade que já tinha qualquer impedimento para as borboletas no estômago que ela sentia.
Do baile ao primeiro beijo, do beijo a troca de alianças e das alianças seus filhos. “Tenho orgulhos de dizer: casei-me com meu primeiro amor. Diferente da juventude que conheço, não precisei experimentar mais de um lábio para saber que era daqueles que eu queria ouvir o ‘eu te amo’ de todos os dias”.
Lá por lá, ela questionou-me: “Por que a juventude de hoje diz que o amor que eu vivi é diferente?”. Então, coloquei –me a pensar, e o que é que mudou? Não seria amor o mesmo sentimento?

Dos anos 50, ano do amor de Ângela, o que mudaram foram os meios. Se antes, pelo correio ela receberia uma carta, hoje mandamos um e-mail. Mas, se os meios facilitaram a comunicação, por que é que as relações se esfriaram?
Talvez esteja aí o problema, a tecnologia invadindo as relações. Hoje, um sms substitui uma visita repentina; basta reparar em quantas vezes meninas apaixonadas suplicam o sms do amado pelas redes. 

Uma declaração no Facebook substitui uma frase de amor ao pé do ouvido e por aí vamos.
Na falta de tempo do dia-a-dia as verdadeiras demonstrações foram tomadas por mensagens instantâneas dando lugar a superficialidade do sentimento. O amor não mudou, os meios é que mudaram e a partir dele nossas demonstrações.                                                                                                                                                                                                 












22:33 No comentários

“Pratique o desapego”. Quando leio de-as-pe-go, meu coração fica gélido. Imagino um maremoto de lágrimas que arrancam todas as lembranças, boas e ruins, que se tem de alguém. Pasmo-me quando percebo: leio isto pela milésima vez no Facebook.
Segundo o dicionário, desapegar-se é criar desafeto, abandonar, desinteressar e desamar. Este último é que chama a atenção, será possível desamar alguém?
Quando eu era ainda menina, lembro-me de logo nos primeiros dias da escola nova encontrar um “grande amor”. 

Ele tinha olhos e cabelos negros, é só disso que hoje me lembro. Nós estudamos juntos por cerca de quatro anos e neste longo período ele continuou sendo meu “grande amor”.
Era amor de criança, inocente, mas mesmo que me preocupasse mais com as minhas bonecas, vez ou outra fazia um desenho de nós e pensava nele. Ele? Nunca me deu bola, jogava meus desenhos no lixo e ainda disse que se eu arrancasse o carrapato (lê-se pinta) que tinha na “cara”, ele me namorava. O que eu fiz? Passei gilete e não adiantou. Passei maquiagem e fui. Ainda assim, ele disse que eu não era bonita pra ele.

O que eu fiz? Pratiquei o des.. Não. Eu o amava, essa era a minha certeza. Não queria desapegar-me dos momentos bons que havíamos passado brincando, das risadas, dos desenhos que eu tinha guardado. Eu não queria “desamá-lo”. Eu estava triste, mas não amar, deixar que o maremoto de lágrimas apagasse minhas lembranças? Isto não.
Às vezes, fico pasma na quantidade de vezes que as pessoas dizem desapegarem-se umas das outras ultimamente. Conversei com uma “garota desapego” e ela me disse, “o que eu posso fazer se ele não me ama? Eu o deixei e quero seguir a minha vida”. Ela desapegou-se do “namorado” de três semanas porque ela o amava e ele não.


Acho que quem resolveu praticar o desapego foi o amor. 


01:12 2 comentários
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kéren Loren é noiva de Adriano Samuray. Integrante do Moto Grupo Angelus Riders, não dispensa uma comida Japonesa, goiabada com queijo e ama viajar. Tem cabelo colorido e adora assistir filmes.É apaixonada pela década de 80, curte rock'roll, mãe de sete cachorros,e prefere o frio.Para saber mais clique aqui.

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