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24 abril 2014

Sobre o amor: Dos anos 50 pra cá.


Poliana Lorena

Há não muito tempo conheci Ângela, uma senhorinha de mais de oitenta anos. Os olhos azuis brilhavam em meio ao mar de rugas que, segundo ela, eram a beleza de sua experiência estampada.
Eu a entrevistava e falávamos sobre expressões culturais. Logo no calor da conversa, com meu jeito extremamente desastrado de ser, deixei que os livros, blocos e papéis se espalhassem pelo chão. Corri para recolher antes que a conversa saísse do rumo, mas não fui ágil o bastante.
Assim que viu a Antologia de Vinícius, disse-se amante de poesia, daí em diante a prosa tomou rumos diferentes. Ela folheava o livro com um sorriso de canto e os olhos quase marejados. Do silêncio ela contou-me sua história de amor.

“Foram 60 anos de amor”, disse. Ela o conheceu num bailinho de associação, ele era muito mais velho, mas ela não conseguia ver nas marcas da idade que já tinha qualquer impedimento para as borboletas no estômago que ela sentia.
Do baile ao primeiro beijo, do beijo a troca de alianças e das alianças seus filhos. “Tenho orgulhos de dizer: casei-me com meu primeiro amor. Diferente da juventude que conheço, não precisei experimentar mais de um lábio para saber que era daqueles que eu queria ouvir o ‘eu te amo’ de todos os dias”.
Lá por lá, ela questionou-me: “Por que a juventude de hoje diz que o amor que eu vivi é diferente?”. Então, coloquei –me a pensar, e o que é que mudou? Não seria amor o mesmo sentimento?

Dos anos 50, ano do amor de Ângela, o que mudaram foram os meios. Se antes, pelo correio ela receberia uma carta, hoje mandamos um e-mail. Mas, se os meios facilitaram a comunicação, por que é que as relações se esfriaram?
Talvez esteja aí o problema, a tecnologia invadindo as relações. Hoje, um sms substitui uma visita repentina; basta reparar em quantas vezes meninas apaixonadas suplicam o sms do amado pelas redes. 

Uma declaração no Facebook substitui uma frase de amor ao pé do ouvido e por aí vamos.
Na falta de tempo do dia-a-dia as verdadeiras demonstrações foram tomadas por mensagens instantâneas dando lugar a superficialidade do sentimento. O amor não mudou, os meios é que mudaram e a partir dele nossas demonstrações.                                                                                                                                                                                                 












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