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24 setembro 2013

Eduardo sem Mônica.

E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”
Assim cantou Renato Russo em uma de suas mais conhecidas canções.
Resolvi compartilhar com vocês uma história de amor. Aliás, duas.
Eu escrevia essa história sozinha, nos meus momentos mais íntimos de solidão. Lá por lá da história, meu coração encontrou alguém. Por acaso ou destino, nós gostávamos de escrever.
Eduardo e Mônica foi o início de um amor que dura dois anos. Acreditem ou não, eu e o Luiz, meu namorado, nos apaixonamos pelas linhas e entrelinhas desta história de amor.O que lerão começa do avesso. Começa regada por lágrimas de saudade, mas isto não quer dizer que essa história será triste. Ela é uma história de amor e, independente do final, todas as histórias de amor são belas.
Boa leitura.


Primeiro Capitulo.
Ah, como é incrível a nostalgia que esse cheiro me causa, essa mistura de cigarros com Marijuana que encobre qualquer perfume ou aroma sutil que possa pairar por aqui. Faz-me lembrar do seu hálito, o cheiro forte das suas roupas e o vício que eu queria que abandonasse, quanto egoísmo da minha parte. Optei por repartir e, hoje, o que era seu também é meu.

Não tenho cigarros e estou indo para a casa agora. Sinto a falta de ter algo em mãos, assim como sentirei falta de “algo” do outro lado da cama. As pessoas me perguntam na rua sobre você e tento responder com a maior naturalidade possível, e eu continuo os enganando, ou enganando a mim mesma. Aliás, estes dias encontrei dois amigos e respondi o questionamento sobre você como se o visse todos os diariamente, parecia tão real que ao chegar em casa quase acreditei que estaria ali.


Ainda me encontro parada no ponto de encontro, mas agora me previno: uso fones de ouvido. Assim, nenhum desatento cometerá o seu erro e virá puxar assunto. Eu sei bem o que diria, repetiria o discurso de quão antissocial eu sou, mas juro, só tento evitar o caos.


Penso nas possíveis hipóteses: Ou você está morto, ou quem morreu fui eu. Não, eu não acho que morri e descanso no  céu, não tenho honra suficiente este lugar, mas a questão é: Você me esqueceu. A consequência disto é essa. Eu sei que estou comprovando a sua tese irritante de o quão dramática eu posso ser, mas é que as circunstâncias isolam qualquer reação diferente.


Tem uma moça bem ao meu lado e ela fala ao telefone com o namorado. Sei que sempre dizia que preferia que não me ligasse, que eu preferia suportar mais algumas horas a saudade e então, ao chegar em casa e te ver, a alegria seria maior. Lembro que nunca obedecia a essa “regra”, acabava me ligando e eu tinha que repetir o discurso mil vezes, mas mesmo assim você continuava a ligar e ligar. Sinto falta disso, falta de tudo que eu julgava até mesmo ser defeito em você.


É tão estilo solteira de quarenta anos, depois de ter alguém, chegar em casa e encontrá-la como eu deixei e saber que ninguém além de mim passará por lá. A pia cheia de louça que você costumava lavar, mal lavada aliás.


Vem a minha memória a nossa fase adolescente, chegar nessa solidão, sem ninguém para acompanhar ao jantar. Lembro-me das noites em claro que eu passava lamentando o “muito” que havíamos passado juntos que eu já não tinha mais todo tempo, os planos incertos de morarmos juntos e olha só, cá estou eu, hoje realmente posso lamentar por algo, foram tantos anos juntos que eu já havia me habituado às suas manias, a sua companhia, ronco. Hoje sim parece fazer mais sentido lamentar a falta de algo. Não quero desprezar a dor de antes, mas tudo parece pequeno perto do vazio que sinto agora. 


Os cigarros acabaram e cadê você para me oferecer os seus e criar aquele discurso me fazendo prometer que iria repô-los? Será que ainda está fumando? Você dizia que achava que, se não fosse por mim, pararia, pois quando não estava comigo já não fumava. Consigo ouvir  você dizendo que já não fazia sentido fumar sem mim, era como uma terapia de casal, obviamente, algo para fazermos juntos.


E as músicas? Você deixou seus discos velhos aqui, e eu que os achava horríveis agora  os tenho como companhia, e são uma boa companhia para quando você não está. Andei ouvindo um pouco de Caetano, mas confesso que criei um grande afeto por Elis Regina, ela é puro desejo, me excita.


Carência? Não estou mais na adolescência onde os hormônios estão à flor da pele, mas admito que tive fantasias com os mais absurdos caras. E você que vivia me perguntando se eu as tinha com outros caras, eu sempre neguei claro, e nunca menti, pois eu as tinha com você. Agora, não consigo tê-las contigo, nem que eu tente (e como tentei), acho que aprendi que existem sim diferenças entre fazer sexo e fazer amor, amor é tão mais sublime. Essa falta de amor me deixou mais carnal.


Escrevo como se estivesse viajando e logo  fosse voltar, lerá estes escritos, olhará em meus olhos me chamando de boba e irá encher-me de beijos  enquanto sussurra que sentiu saudades. Não sei se assim será, mas mesmo incerto continuarei escrevendo, quem sabe depois dessa reclusão queira saber como tive passado. E como será que tens passado tu, menino?





Segundo Capitulo



Não me perguntam sobre você, as pessoas já notaram pela minha expressão que eu não forçarei simpatia para o calhorda que ousasse perguntar.

Não sei porque escrevo, essa mania era sua, mas acho que foram como com os cigarros, uma troca, cigarros por lápis, muito justo.
Os cigarros acabaram, fui procurá-los assim que me lembrei do vício, pode parecer pouco, mas já faz uma semana que não fumo e sinto falta. Não dos cigarros, para melhor interpretação, mas sim de fumarmos juntos.

Agora que eles acabaram penso na desculpa perfeita para tê-los e ainda revê-la, afinal, você me deve maços. Eu não farei  isso, sei que é perda de tempo, você também não deve tê-los, nunca se lembrava de comprar.

Deve estar voltando da faculdade e com certeza está de mau humor, já que a pia deve estar cheia de louça acumulada, é, eu sei que você odeia. A propósito, agora aprendi a lavá-las, acho que era mais pelo fato de vê-la de roupa íntima, quase pronta para o banho, tendo que lavar a louça toda outra vez. Isso não era uma fantasia minha, mas a cara que fazia era engraçadinha. Além disto, ficava com a barriga toda molhada, sentia frio e então eu a abraçava e me fazia prometer que da próxima vez lavaria direito. Mesmo diante do fato de estar de lingerie, eu gostava mais do abraço. Hoje, que já não tenho nada disso, o que me resta é lavar a louça de maneira correta.
Eu chego mais cedo do serviço e como não faço mais faculdade, é, sou eu quem passa mais tempo sozinho, talvez eu sinta mais essa  ruptura de laços.

Falando em faculdade, passei por lá hoje, vou voltar. Acho que a minha crise de identidade já passou, como meus pais diziam: meu problema era você. Reforço que não.

Sinto falto e ando sentindo falta é do seu cheiro, das suas manias, dos seus gritos, da implicância. Ah, como eu poderia me esquecer da mania implicante de não me deixar te ligar. Sabe, até que agora isso tem sido bom, mesmo que te ligasse algumas vezes, não foi o suficiente para que eu tenha repulsa ao celular e a melhor de todas é esquecer todo o conflito e ficar imaginando que chegará em casa e se sentirá mais feliz porque eu não te liguei.

Passei em frente a uma lojinha hoje e vi os fones de ouvido que tanto queria, arrependo-me de não tê-los dado a  você antes, e, agora que não estou contigo, qualquer um pode puxar assunto. Eu que te chamava de anti-social, agora rezo para que essa sua “linda” característica se acentue.

Tenho evitado passar pela rodoviária, não por medo de encontrá-la, mas por medo de chorar. É estranho, mas estou sensível com toda essa situação,  você que sempre me mimou e encheu de carinhos é que se torna culpada por tal sentimentalismo. Sou um dramático sem você.

Sinto-me adolescente outra vez falando assim, e relacionar tal fato a adolescência é até de certa forma irônico. Nessa época você fazia planos para morarmos juntos, casarmos. É claro que eu não discordava, mas te achava maluca e jamais considerei a hipótese de maneira séria. No fim, acabei passando para a mesma faculdade que você e aceitei que morássemos juntos porque não tinha grana suficiente para um apartamento. Eu queria namorar você, é claro. Longe de mim a ideia de ser um calhorda, mas como todo homem o que me assustava era o fato de morarmos juntos , isso para mim era uma igualdade para casamento. Seriam os meus defeitos mais os seus defeitos e então, onde iria parar todo aquele romance?

Eu era meio moleque, ainda não tinha a sua maturidade, mas bastou um mês juntos e tudo parecia funcionar perfeitamente. Passei a entender bem a frase ”seus defeitos se encaixam perfeitamente aos meus”, afinal, éramos assim. Eu já gostava da ideia de estarmos “casados” e passei a pensar na hipótese de concretizá-lo, mas não tive tempo.

Eu estava desfazendo as malas e encontrei em meio as minhas meias aquela calcinha que você odiava que eu a visse usando, dizia que era só confortável. Não sei se deu pela falta dela , mas se sim, deve estar pensando que a peguei para qualquer ato sujo. Não importa, você ficou com meus discos, então eu tenho direito a calcinha. Comunhão de bens.

É estranho dormir em uma cama de solteiro, não por ser menor, afinal nela eu tenho mais espaço do que na nossa antiga cama, já que você era muito espaçosa. O problema é exatamente esse, o excesso de espaço, os seus socos, chutes e pontapés me fazem muita falta, menina.
Chamá-la de menina, lembra a forma carinhosa como nos chamávamos, algo que remetia a infância , não sei, acho que por ser pequena exigia mais cuidado e daí surgiu. Lembro que sussurrava em seu ouvido quando me provocava, te chamava de menina e então você amolecia, olhava com olhos de criança. Era tanta inocência em um só olhar que eu mal conseguia te beijar, me alucinavam aqueles seus olhos. Eu sabia que se emocionava toda em momentos assim, entendia que aqueles gestos queriam dizer que eu a amava. Era como viver o céu, ali sabíamos que todos os planos se concretizavam, que tínhamos ao nosso lado alguém para nos cuidar e alguém que precisasse de nossos cuidados.

Não posso dizer que não sinto falta do sexo, aliás de fazer amor, mas são por outros motivos, é pelo fato de sentir seu corpo quente, de te ter de tão mais perto, vê-la nua e não cansar de dizer o quão linda era, o quão minha era e o quão seu eu ainda sou, ver que éramos mesmo somente um.

Eu não sei porque continuo escrevendo sobre o nós que já não existe, nem sei se você ainda me coloca em suas histórias, mas me refugio por essas linhas , sinto um pouco de  você.

Sei o quão forte é, pelo muito que já passou. Sei que vai superar rápido e alguns já me dizem o quão bem você parece estar. Mas é bem como dizia, só eu te conheço, só eu sei o quão dolorido pode estar por dentro e, para nós dois que já não estamos mais na juventude, só resta mesmo superar.
Menina, se puder, ouça pela última vez: Se me pedisse, eu iria correndo te encontrar.

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